terça-feira, 11 de novembro de 2008

Proibido Proibir


A mãe da virgem diz que não
E o anúncio da televisão
E estava escrito no portão
E o maestro ergueu o dedo
E além da porta há o porteiro, sim
Eu digo não
Eu digo não ao não
Eu digoÉ proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir
Me dê um beijo, meu amor
Eles estão nos esperando
Os automóveis ardem em chamas
Derrubar as prateleiras
As estantes, as estátuas
As vidraças, louças, livros, sim
Eu digo sim
Eu digo não ao não
Eu digoÉ proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir

Caetano Veloso


Com a repressão à liberdade de imprensa ocorrida na ditadura militar, na Era Vargas, por volta de 1968, muitos dos mais famosos poetas e músicos brasileiros não se calaram diante tal “calamidade”, tentaram por meios musicais expressarem suas indignações, porém sempre um tanto cautelosos para não exporem sua imagem ao risco de um exílio.

Temos como maior exemplo de “rebelde” (assim julgado pelos repressores da época) o cantor Caetano Veloso, que fora exilado após divulgar a sua canção “É proibido proibir”, uma ironia à situação do Brasil na época.

Nesta canção ele coloca o Brasil como uma mulher, como se a briga dele fosse com alguma amada, porém todos sabiam que a musica expressava as frustrações da população diante a situação imposta pela ditadura militar, que pode ser observado na ambigüidade dos trechos que se seguem: “Me dê um beijo, meu amor/Eles estão nos esperando/.../Derrubar as prateleiras/.../Eu digo não ao não/É proibido proibir”.

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